quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Trazes aquele livro que anda contigo pra onde quer que sonhes ir. De quem é mesmo? Uma das mulheres de 45. Tão femininas e as gosta tanto; tão diferentes de mim. Eu que sou assim meio macho, meio machista. Entregas-me sempre pequenas folhas impressas com palavras tão densas que não absorvo. Sabe como é: sensibilidade artística nunca foi meu forte.
Te vejo de canto de olho, mas sabes que te espero. Desenho teu trajeto a lápis em cima da mesa, sorvo pequenos goles de café ruim que me mantém acordada até o próximo instante. Quando tenho muito sono, tenho medo de morrer. Acho que nunca te contei isso. E morrer não quero agora; há sempre mais uma palavra a ser dita.
Uma vez já havia constatado: as pessoas demasiado altas parecem levar o dobro do tempo pra chegar. Deve haver uma explicação física pra isso. E tu és tão grande... teu cérebro, inevitavelmente, acima do meu. Deve haver uma explicação físico-química-biológico-cultural pra isso também. Sinto saudade também de ler aquele carinha que líamos tanto, te lembras? Esqueci-me por completo, assim como não lembro teu nome. Dei-te um apelido uma vez, mas me esqueço.
Parece que enfim chegas perto: sinto teu cheiro de tinta. Mais um gole de café e posso abrir meus olhos para ver os teus. Percorrendo devagar teu corpo de baixo para cima, percebo que demoro muito a alcançá-los. Lá chegando, súbito a narrativa mental cessa, e brota por todos os lados meu jardim de talvez (talvezes às vezes amores-perfeitos, às vezes não-te-esqueças de mim, às vezes apenas violetas). No teu olho sou talvez e penso: Será? Levanto e me abraças. Seca o jardim de talvez.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Piranha

Hoje não é um bom dia. Os dias não tem sido bons há nove anos, desde que fostes nadar nua no lago cheio de piranhas violentas. Piranhas outras, violentas como tu, mas não fostes a mais forte no jogo das espécimes. Era teu direito natural, morrer. Às vencedoras, as coxas quentes e carnudas que as batatas fritas e sequinhas do Mc Donald’s ajudaram a construir. Nada, piranha, e perde as pernas no jogo sujo que criaste; dá cor a essa água lamacenta até que não te sobre um osso, um espectro.
Tornaste-te o espectro, desgraçada, e sugas minha felicidade num sem fim de apatia. Te mandaria para o inferno se pudesse me mover, mas estagnada mando o mundo: ó mundo, pro inferno!
Estou desesperada há nove anos. Quero esconder-me debaixo do sofá, mas é tão longe o debaixo do sofá. Quero pedir perdão ao mundo por falar de piranhas e carne putrefata, porque de carne putrefata ainda hei de falar... Vou tomar oito comprimidos e morrer por algumas horas. Vais continuar me perseguindo e depois acordarei num grito assustado: és tu que me chamas, espectro, pra viver.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Fiquem tranqüilas, não é patológico.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Shhhh...!

Brinca de silêncio no quarto esquerdo do meu ouvido; faz daquele jeito que tu fazes, do jeito que só tu suspiras: baixinho! Sorri da confusão do ciberespaço em que vivemos, em que te vejo pela webcam, distante. Ensina pra quem não queira aprender que não é mesmo assim que se dança. Mas dança. Dança sempre com minhas mãos bambas, enquanto digo que não é necessário medo mesmo havendo este tumor em meu cérebro. Que nada vai parar a música, mesmo que me caiam os cabelos. Pode ser só a idade. Pode ser só o envelhecimento incorruptível de cada célula. Mas, ah!, suspira! Deixa que eu me perca pelos teus cabelos – que clichê!. Deixa que eu me perca, sim, por teus cabelos e pelas tuas costas. Prometo que não vou mais te lamber como antes, porque vou fingir que respeito teus pudores e tuas regras de conduta moral. Não te preocupa comigo. Preocupa-te apenas com não aborrecer-me com toda tua idiossincrasia. Dê-me a honra da última valsa, enquanto eu faço o download dum samba. Pega minha mão neste vazio, se confias nas tradições. Porque eu já roí as unhas dos pés das mesas de tanta angústia e saudade.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Insanidade leve para ser tratada com homeopatia
Houve uma mísera tentativa, um ato efêmero... encontrei-te num desencontro de corpos, quando cada um era apenas mais um e eu queria apenas mais todos. não há instante nem saber nestes momentos ébrios que se transformam em instantes onde mudam as personagens mas a protagonista sou sempre eu. Sou a protagonista de todas as minhas desgraças. Escrevo rimas-pobres e contos-clichês sem saber onde isto vai dar e pior: sem saber onde isto não vai dar. Se ao menos o anonimato me fosse certo! Mas me recuso ao todo, ao tudo, e até mesmo ao talvez. Sou do público que me adora por um instante e sai do teatro pensando na própria vida mal-vivida. Cotidiano, mal dos tempos.
Reabasteço o copo sem pensar que já vivi, num instante instável. Fico mais bêbada conforme não bebo; devo ser louca por ser tão inacessível...
Hoje te perdi porque te tive a vontade de permitir mais do que a ti. Tive impulso de conceder aquilo que não me pertencia... porque eras o que eu precisava e me excedi, me cedi, me doei mais do que permitiam os meus e teus pecados. Preciso dar-te um livro. Não sei qual é tanto quanto não sei quê sou. Página construída de incógnitas em mais esta cerveja. Em mais uma dose, mais um pega, mais um trago. E nada disto acontece de fato. Tudo é mera ilusão, mero ato cômico. Duma comicidade que não compreendo, é verdade. Duma comicidade que é ato não–lúdico, como uma piada que só faz sentido apara um grupo muito restrito. Assim tem sido nossa vida. E só faz sentido para Àquele-Que-Ri, senhor de todas as coisas.
Só pode existir Deus na medida em que houver a risada pelo ridículo. Enquanto não houver mais isto. Isto que não tem nome mas tem data, e que vai para o longo arquivo pessoal. Isto que dói a todos os que lêem e não entendem nada. Porque o é dito e sentido com desejo pertence a todos àqueles que falam sem saber, que lêem sem entender. Mas persistem. Carregando o peso do mundo nas costas persistem. Persistem sem pedir nada em troca, porque na ressurreição não crêem. E se não há vida eterna, há o que a vida determinar... E toda crença desaba, como se fosse de sua própria natureza a nos fazer pagar pelos pecados cometidos ou não.
Por que ou todo o castigo é verdade absoluta, ou todo amor é falho. Tudo o que me impede me dói de forma absurda e quisera eu que fosse fácil me ter. Porque me quiseste em único e em falsa pureza. e quem diz sou eu, que toma cerveja quente em tua homenagem. E nada fiz, nesta noite, senão em tua homenagem.
Te ligo e o telefone chama, chama, e chama é o que o telefone é. Mera chama que mantém acesa a fogueira do tempo e da paciência... O telefone é o veículo para adiar o fim, para fingir que não existiu. Pode-se bloquear ou receber chamadas, e nada é certo.
O que devo fazer qdo falo contigo e me dói ainda mais? Porque doem todas as dores passadas e futuras, e ninguém pode prever o futuro, mas o coração pressente.
Preciso ir, preciso ir embora. Dizes que me amas, mas não sinto... sinto dor e um resto de nada. Este resto de nada é que me perfura, e é o que dói mais a fundo, e que faz sentir o instante nada como dúvida, que vai além do compreensível e transcende, que ignora o futuro e segue, louca.
Louca porque o destino é mulher e isto bem se sabe.
Foge da harmonia como eu da cruz, e busca a realização do paralelo, do nem feliz nem infeliz. Daquilo que é e tão somente existe; que nunca se ignora nem tampouco leva-se a sério. É como vinho branco com cerveja, ninguém sabe o que aconteceu, mas todos sentem. Ponho para rodar o cd que é meu velho conhecido, do filme que vi mais de mil vezes.... calma aí, preciso dar play.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Welcome!
Olá pessoas que eu ainda não sei quem são... o blog não está pronto, e nem eu estou, mas tudo tem que começar, ainda que no improviso...
Assim faremos, acredito... e um dia tudo isto pode ficar muito divertido. O que quer que se entenda por diversão.
